quinta-feira, 21 de julho de 2011

O Vento

Ela havia deixado a porta aberta. Foi embora depois de nossa última discussão e apenas deixou para trás um gélido sopro que dizia adeus... Os últimos olhares mais intensos que tornados e tormentas cortantes. Ela dizia, preciso voar, preciso de asas. Eu dizia, pegue o que quiser de mim, não me importa. Qualquer coisa... Ela apenas deslizou com suas asas pela vastidão turquesa.

Lembrava de tempos atrás, quando ficava triste e mais de mil sorrisos ela me dava de graça. Apenas para clarear nossas manhãs. Sem nenhum tipo de perda nem tristeza. Sempre uma inventiva alegria. Está tudo bem, sempre esteve. Porque iria querer mudar. Palavras jogadas no fluido espaço do ar. Envolviam-me em harmonia sem nunca quererem me deixar cair. Jamais. Cair nunca foi opção...

Asas tão pequenas, tão frágeis e delicadas. Ela dizia que já havia ido há muito tempo, já havia me deixado em tantos planos... Menos no físico... Fadas e borboletas, dizia ela, carregavam-na para longe. Tudo que ela pensava era em bater as asas, pelos algodões celestes, contra o vento. O vento que a beijava e dava-a a liberdade que nunca poderia dar, mas que sempre quis.

A porta continuava aberta soprando o gélido adeus... Pela janela alguns raios do sol matutino cortavam o denso ar da sala cor de vinho... Uma pena entrou junto com o vento... Peguei-a e nela estava escrito “Me perdoe...”

O Vento
(Victor Castanheira Antunes)

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Novo Aeon - Raul Seixas

Sociedade alternativa
Sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu
Ou de ter fé
Ter prato entupido de comida
Que você mais gosta
É ser carregado, ou carregar
Gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar
Jesus sofrer...