domingo, 31 de julho de 2011

Do melhor jeito

Dos teus olhos descobri o infinito
Descobri o carinho
Provei o amor da fonte mais límpida
E consegui navegar pelo seu oceano
Com a minha jangada

Dos teus lábios descobri a paixão
Descobri o calor
Senti toda liberdade de nossas asas
E consegui voar pela sua vivacidade
Com o meu planador

De você descobri a vida
Descobri a felicidade
Provei dores e amores com prazer
E consegui ter a melhor
Simplesmente a melhor

Calmaria entre nossas tempestades
Milhões de estrelas no nosso céu
Lado a lado sempre ficamos
Muitos frutos colhemos juntos
Todos os dias rimos e choramos
O melhor tempo aproveitamos
Brilho nos nossos corações
Garantia de nossa ternura
Do melhor jeito dizemos: até logo!

Do melhor jeito
Victor Castanheira Antunes

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O Vento

Ela havia deixado a porta aberta. Foi embora depois de nossa última discussão e apenas deixou para trás um gélido sopro que dizia adeus... Os últimos olhares mais intensos que tornados e tormentas cortantes. Ela dizia, preciso voar, preciso de asas. Eu dizia, pegue o que quiser de mim, não me importa. Qualquer coisa... Ela apenas deslizou com suas asas pela vastidão turquesa.

Lembrava de tempos atrás, quando ficava triste e mais de mil sorrisos ela me dava de graça. Apenas para clarear nossas manhãs. Sem nenhum tipo de perda nem tristeza. Sempre uma inventiva alegria. Está tudo bem, sempre esteve. Porque iria querer mudar. Palavras jogadas no fluido espaço do ar. Envolviam-me em harmonia sem nunca quererem me deixar cair. Jamais. Cair nunca foi opção...

Asas tão pequenas, tão frágeis e delicadas. Ela dizia que já havia ido há muito tempo, já havia me deixado em tantos planos... Menos no físico... Fadas e borboletas, dizia ela, carregavam-na para longe. Tudo que ela pensava era em bater as asas, pelos algodões celestes, contra o vento. O vento que a beijava e dava-a a liberdade que nunca poderia dar, mas que sempre quis.

A porta continuava aberta soprando o gélido adeus... Pela janela alguns raios do sol matutino cortavam o denso ar da sala cor de vinho... Uma pena entrou junto com o vento... Peguei-a e nela estava escrito “Me perdoe...”

O Vento
(Victor Castanheira Antunes)

Novo Aeon - Raul Seixas

Sociedade alternativa
Sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu
Ou de ter fé
Ter prato entupido de comida
Que você mais gosta
É ser carregado, ou carregar
Gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar
Jesus sofrer...