quarta-feira, 22 de julho de 2009

Disfarces

Brasília, 21/07/2009

Disfarces

Têm discussões que são imortais. Não importa quanto tempo já passou, ou se já ficou claro ou não, existem certos embates que duram para sempre. Se a escalação da seleção de não sei quando era a melhor possível, se o plano econômico tal foi bom ou ruim, se deveríamos ter resistido à amiga esquisitinha depois da enésima latinha de cerveja.

O engraçado é que a mais imortal de todas elas, aquela que foi “a” questão mais perguntada do século XX, hoje anda caída. Derrubaram-na e esconderam-na com uma verdade duvidosa, gozada. A eterna questão do Capital VS. Social foi sorrateiramente enterrada sobre quilos de esquecimento e ideais deturpados.

Essa questão na verdade, parece ter sido respondida com os infortúnios do tempo. Depois do sumiço do Bloco Socialista e a corrida ao Mc Donald do pós Guerra-Fria, ficou parecendo que a questão fora respondida: “O olhar demasiadamente social falhou. Viva o ideal da acumulação de capital! Viva o sucesso do capital”. Penso que por essa falsa noção de sucesso é que as coisas descambaram.

Você já foi elogiado ao ponto de ser chamado de único, ser a resposta pra tudo. Eu não. Provavelmente nem você. Mas o capital foi. Na ilusória sensação de vitória depois da queda do bloco socialista, pensou-se em não se ter mais em que questionar, onde neoliberalismo, atrelados do consumismo e do livre-mercado, virou sinônimo de sucesso. Entretanto, venho a questionar essa definição de sucesso.

Se sucesso for concentração de riquezas na mão de um indivíduo, sim houve o relativo sucesso que é tão falado pelos defensores do neoliberalismo. Entretanto, a definição de sucesso que compete ao estado não se limita a isso. Oferecer a igualdade de condições e oportunidades, a devida assistência nas diversas necessidades básicas do cidadão – como educação e saúde irrestrita para todos – e ter a consciência do bem-estar de sua população é que deveriam ser considerados os atributos básicos de sucesso de um estado, e não a noção do senso comum que é a ilusória proposta que nos é oferecida.

Nós ficamos fatalistas. O “é assim e ponto” parece ter tomado nosso senso crítico e nossa solidariedade humana até. A individualidade forçada que nos é proposta transforma em bichos aqueles que se deixam levar pela maré. Uma máquina que busca ser bem-sucedido e acumular o máximo de capital possível, enquanto ali mesmo na lixeira de seu condomínio, uma família caça restos para tentar sobreviver.

Não falo em tentar mudar o mundo, acabar com a fome na África, sair por aí fazendo pregando o socialismo como o pote de ouro no final do arco-íris, e o concerto liberal como uma série de Dick Vigaristas. Isto, de fato, é preciso, mas é tão preciso quanto começar a questionar, primeiramente, seus próprios atos. Comecemos a questionar o nosso consumismo, a nossa falta de atenção, a nos atentar como podemos influir no todo, porque, querendo ou não, fazemos parte desse todo que classificam como “é assim e ponto”.

Paro por aqui com um verso que ilustra minha preocupação. Vamos nos atentar para o que acontece ao nosso redor. Vai ver tem solução.

“(...) Talvez nós estejamos parados
Vai ver foi a labuta, foi o dia de luta, foram os filhos da puta que nos tem enganado e governado.
Vai ver somos nós que esquecemos o passado, que nos satisfazemos com o errado, que sublimamos com os que não nos têm incomodado.
Talvez estejamos calados.
Talvez não tenhamos é que ficar calados.”


Disfarces
(Felippe de Rosa Miranda)

ps.: texto feito por um amigo, espero que gostem, para mais textos dele visitem http://desinteligenciacritica.blogspot.com/

Um comentário:

marina, disse...

MUITO , MUITO BOM,o Felippe manda muito mesmo e o blog dele é sensacional.Adorei os versos do final e é a PURA realidade , sem o sensacionalismo barato que fazem por aí.Elogio terá quem merecer e não quem quiser.

Novo Aeon - Raul Seixas

Sociedade alternativa
Sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu
Ou de ter fé
Ter prato entupido de comida
Que você mais gosta
É ser carregado, ou carregar
Gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar
Jesus sofrer...