sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Filha e mãe, mãe e filha.

Mãe e filha
Filha e mãe
Juntas no meio fio
Na calçada de uma rua
Na rua de uma cidade
Na imensidão de um planeta
Se transbordavam de alegria
Amor não lhes faltava

Filha e mãe
Mãe e filha
Juntas no peito uma da outra
No peito que bate um coração
No coração de um corpo
Num corpo que se diz celeste
Tão pequeno pra duas
Pras duas felizes

A mãe era filha
A filha era mãe
Confundiam-se em suas risadas
O colo da mãe era o infinito
O infinito se fazia lindo

A filha se fazia de mãe
A mãe se fazia de filha
As duas se necessitavam
Sem uma a outra se calava,
Sem a outra a uma morria.

Mãe e filha
Num horizonte de respeito
Filha e mãe
Num oceano de felicidade
A mãe era filha
Em sua vida, em sua ferida
A filha era mãe
Sabia ser essencial e crucial
A filha se fazia de mãe e a mãe de filha
Por saberem estar sozinhas
Mas se amavam, se alegravam
Se juntavam em só uma
Em só uma alma

Mãe e filha
Filha e mãe
Sem que o amanhã existisse
Estavam juntas naquele dia
Naquela tarde
No meio fio da rua
Na rua da cidade
Na imensidão de um astro

Nada as atrapalhariam
Nada as tirariam desse breve momento infinito

Filha e mãe, mãe e filha.
(Victor Castanheira Antunes)

2 comentários:

Yza. disse...

Sempre quando leio seus poemas, eu penso que depois haverá uma série de perguntas sobre eles. Algumas vezes os leio e penso : "Ele copiou de algum lugar, não é possível." Vai fazer humanas huiahuihaa

Muito bom, Kas, muito bom mesmo :)

nii;massine disse...

Oi Kas .
bem , seu texto esta muito bom , de verdade.Ah , cheguei ao seu blog porque fui no orkut do Sky, dai fui no teu , fazer nao sei o que e vi que voce tem blog , ai entrei,e gostei muito . Beijão .

Novo Aeon - Raul Seixas

Sociedade alternativa
Sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu
Ou de ter fé
Ter prato entupido de comida
Que você mais gosta
É ser carregado, ou carregar
Gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar
Jesus sofrer...