sábado, 8 de novembro de 2008

Angustiado que sou eu falei...

Grita sua dor,
Diz que é amor,
Mente pra mim
Fala que é pavor
Depois transforma em humor.

Recita sua melodia,
Provoca arritmia,
Enche teu coração
De esperança no dia
Mas já é noite então vai pra boemia

Pinta seu âmago,
Cria um escândalo,
Chama a atenção
Provoca um estrago
Megalomania a parte, fica vago.

Balança seu adeus
Mas seus olhos são meus
Talvez um dia,
Volte em redondos pneus
Com aqueles belos sorrisos teus

Grita, recita
Pinta, balança
Te sinto aflita
Pois não me alcança
Humor, boemia
Vago, teu
Dorme de dia
Vem com Morfeu

Medo, desprezo
De tudo
E nada.
E a felicidade de todos.
É o que me agrada.

Grita toda sua dor
Que eu sei que não é amor
Eu finjo acreditar
No seu enorme pavor
Se sente tão ridícula que causa humor

Recita a sua pobre melodia
Que de tanta arritmia
Pára teu coração
E a gloria do seu dia
Morre na sufocante boemia

Pinta seu fraco âmago,
Encena seu próprio escândalo,
Percebe que a atenção
Provoca um grande estrago
E sem sua megalomania, tudo fica vago.

Por uma ultima vez, diga seu adeus,
Não quero mais esses olhos teus
Mas quem sabe um dia
Tu retornas nos redondos pneus
Que em outrora você trazia os belos sorrisos seus.

Berra, explicas
Desenha, dança
Porque me imitas
Se não me alcança
Amor, arritmia
Estrago, seus
Dorme de dia
Foge de noite, adeus

Calma, desespero
De nada
E tudo.
E a felicidade de todos.
É o que move o mundo.

Angustiado que sou eu falei...
(Victor Castanheira Antunes)

Novo Aeon - Raul Seixas

Sociedade alternativa
Sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu
Ou de ter fé
Ter prato entupido de comida
Que você mais gosta
É ser carregado, ou carregar
Gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar
Jesus sofrer...