domingo, 28 de setembro de 2008

Inicio incerto do final ou do fim

A brisa me beija a face e eu vejo o pequeno riacho a minha frente, seguindo inerte como se rumando a lugares onde o fim não é ao certo definido. Fico um tempo olhando as águas correndo pra lugar nenhum, lembrando que nada é pra sempre e tudo tem um fim. Me levanto e vejo pelo sol que já é hora do almoço, preciso voltar pra lá. Volto pela trilha que abri na vinda. Olho pra toca de coelhos, a toca que me dera vontade de entrar e ver o que se escondia por ali, a mesma toca que ignorei na minha ida pro banho de rio. Olho mais detalhadamente e percebo que o buraco estaca maior, quase permitindo que eu entrasse. Decidi então abrir um pouco mais e explorar para ver o que se escondia. A medida que eu cava mais escuro ficava até que depois de certo tempo apontou uma luz branca no final. Resolvi cavar até a luz branca e fui. A cada retirada de terra a luz ficava mais intensa. Logo estaria do outro lado da toca e descobriria o que esses coelhos escondiam. A luz branca sempre aumentava, mas nunca se revelava o que era. A curiosidade aumentava, mas nunca era satisfeita. Quando cheguei ao fim percebi que a toca conduzia ao lugar onde o fim não era definido ao certo e percebi que era também o lugar de partida.

Inicio incerto do final ou do fim

(Victor Castanheira Antunes)

sábado, 20 de setembro de 2008

Intenso e forte como a flor

Talvez seja rápido.
Talvez seja forte.
Talvez seja intenso.
Talvez seja a morte.

O que me diz de uma queda?
Mas não igual a Adão e Eva

Talvez seja vermelho
Talvez seja quente
Talvez seja masoquista
Talvez seja clemente

E toda a surpresa que me domina
O que me adormece, morfina.

Talvez seja cego
Talvez seja poético
Talvez seja romântico
Mas que não seja cético

E o que dizer de tudo isso?
Relevar, ignorar a dor.
Não levar a sério
Tudo aquilo que chamam
De amor?

Intenso e forte como a flor
(Victor Castanheira Antunes)

Novo Aeon - Raul Seixas

Sociedade alternativa
Sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu
Ou de ter fé
Ter prato entupido de comida
Que você mais gosta
É ser carregado, ou carregar
Gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar
Jesus sofrer...