domingo, 20 de setembro de 2009

Ninho de Cobras

Ovos fechados, olhos ávidos
Corações abertos, punhos cerrados
Mente fechada, sempre amizade
Mãos e abraços, preconceitos e mordaças
Juras, palavras...
Palavras e só

Ovos rachados, armas à mão
Mentiras bem contadas, bocas que beijam
Fotos pro futuro, Orkut paras fotos
Carinhos e afagos, inventivos e tristonhos
Palavras e mais palavras...
Apenas palavras, porém.

Ovos eclodidos, morte da alma
Punhos que socam, bocas que difamam
Um eco dentro de si, um vazio e solidão
Presas amostra pra espantar o vazio
Presas amostra pra estripar o primeiro

Palavras nunca mais
Apenas víboras,
Corais, sucuris
E anacondas

Ninho de Cobras
(Victor Castanheira Antunes)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Por Dias Melhores

não sei porque canto
mas faço com prazer
grito pela vida
espanto o medo de perto

permaneço na luz
não fecho meus olhos
permaneço na esperança
luto por tempos melhores

um sonho de um dia
ter o poder de dizer
"a paz é verdadeira"

um sonho de utopia
um sonho de loucura
"a paz é verdadeira"

não sei porque tento
mas faço com prazer
espero por dias melhores
por dias mais sinceros

precisamos de amor
só de amor
that's all we need

então não me desaponte

sonhe com um dia
ter o poder de dizer
"a paz é verdadeira"

sonhe com utopia
sonhe com loucura
"a paz é verdadeira"
love is all we need
all we need is love
all we need is love
love is all we need

Por Dias Melhores
(Victor Castanheira Antunes)

isso é uma música que eu fiz, quando conseguir gravá-la no computador eu do um jeito pra conseguir ouvi-la aqui, mas por enquanto só a letra.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Disfarces

Brasília, 21/07/2009

Disfarces

Têm discussões que são imortais. Não importa quanto tempo já passou, ou se já ficou claro ou não, existem certos embates que duram para sempre. Se a escalação da seleção de não sei quando era a melhor possível, se o plano econômico tal foi bom ou ruim, se deveríamos ter resistido à amiga esquisitinha depois da enésima latinha de cerveja.

O engraçado é que a mais imortal de todas elas, aquela que foi “a” questão mais perguntada do século XX, hoje anda caída. Derrubaram-na e esconderam-na com uma verdade duvidosa, gozada. A eterna questão do Capital VS. Social foi sorrateiramente enterrada sobre quilos de esquecimento e ideais deturpados.

Essa questão na verdade, parece ter sido respondida com os infortúnios do tempo. Depois do sumiço do Bloco Socialista e a corrida ao Mc Donald do pós Guerra-Fria, ficou parecendo que a questão fora respondida: “O olhar demasiadamente social falhou. Viva o ideal da acumulação de capital! Viva o sucesso do capital”. Penso que por essa falsa noção de sucesso é que as coisas descambaram.

Você já foi elogiado ao ponto de ser chamado de único, ser a resposta pra tudo. Eu não. Provavelmente nem você. Mas o capital foi. Na ilusória sensação de vitória depois da queda do bloco socialista, pensou-se em não se ter mais em que questionar, onde neoliberalismo, atrelados do consumismo e do livre-mercado, virou sinônimo de sucesso. Entretanto, venho a questionar essa definição de sucesso.

Se sucesso for concentração de riquezas na mão de um indivíduo, sim houve o relativo sucesso que é tão falado pelos defensores do neoliberalismo. Entretanto, a definição de sucesso que compete ao estado não se limita a isso. Oferecer a igualdade de condições e oportunidades, a devida assistência nas diversas necessidades básicas do cidadão – como educação e saúde irrestrita para todos – e ter a consciência do bem-estar de sua população é que deveriam ser considerados os atributos básicos de sucesso de um estado, e não a noção do senso comum que é a ilusória proposta que nos é oferecida.

Nós ficamos fatalistas. O “é assim e ponto” parece ter tomado nosso senso crítico e nossa solidariedade humana até. A individualidade forçada que nos é proposta transforma em bichos aqueles que se deixam levar pela maré. Uma máquina que busca ser bem-sucedido e acumular o máximo de capital possível, enquanto ali mesmo na lixeira de seu condomínio, uma família caça restos para tentar sobreviver.

Não falo em tentar mudar o mundo, acabar com a fome na África, sair por aí fazendo pregando o socialismo como o pote de ouro no final do arco-íris, e o concerto liberal como uma série de Dick Vigaristas. Isto, de fato, é preciso, mas é tão preciso quanto começar a questionar, primeiramente, seus próprios atos. Comecemos a questionar o nosso consumismo, a nossa falta de atenção, a nos atentar como podemos influir no todo, porque, querendo ou não, fazemos parte desse todo que classificam como “é assim e ponto”.

Paro por aqui com um verso que ilustra minha preocupação. Vamos nos atentar para o que acontece ao nosso redor. Vai ver tem solução.

“(...) Talvez nós estejamos parados
Vai ver foi a labuta, foi o dia de luta, foram os filhos da puta que nos tem enganado e governado.
Vai ver somos nós que esquecemos o passado, que nos satisfazemos com o errado, que sublimamos com os que não nos têm incomodado.
Talvez estejamos calados.
Talvez não tenhamos é que ficar calados.”


Disfarces
(Felippe de Rosa Miranda)

ps.: texto feito por um amigo, espero que gostem, para mais textos dele visitem http://desinteligenciacritica.blogspot.com/

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Nota

Descobri que recebi há pouco tempo mais um selo, agradeço ao blog da minha amiga Yzadora (www.falandosozinha.com), mas não vou dar prosseguimento às indicações. Por um único motivo, esse negócio de selo por mais merecedor que o blog seja é uma forma de elitização da nossa forma de “imprensa”. Nós blogueiros que nos dizemos tão diferentes dessa mídia elitista, estamos nos tornando cada vez mais parecido com eles. Sempre reclamo da Veja por ser muito julgadora, seletiva e com críticas infundadas em suas matérias, mas no momento em que escolho um blog para receber um determinado selo estou julgando o que é bom e o que é ruim e indiretamente elitizando esse nosso espaço tão livre!
Mesmo que o blog seja de uma patricinha que só escreve sobre seu dia e sua vida, mesmo que o blog seja de um reacionário que só fala mal da esquerda e vice versa, mesmo que seja de um poeta bom ou ruim, não cabe a nós julgar se ele é digno de um selo ou não. Cabe a nós julgar se vale à pena ou não para nós mesmos lermos aquilo. E se sentirmos que aquele blog é bom e que outras pessoas deveriam lê-lo o próprio site já disponibiliza uma maneira, que é deixá-lo na lista de amigos. E claro, também temos o msn, podemos enviá-lo a um amigo ou amiga que se interesse pelo assunto destacado no tal blog. Então, seja você uma patricinha, reacionário, marxista, poeta ou nenhum dos anteriores não fique por ai julgando quem é ou não digno de receber um selo, o mestre Raul já dizia “todo homem e toda mulher é uma estrela”, e o fato de ter um blog mostra que a pessoa escreve, e quem escreve na maioria das vezes evolui!
Portanto não elitizemos esse nosso espaço, todos os blogs são dignos de leitura e aquele que você julgar ruim para você, simplesmente deixe um comentário simpático mostrando sua opinião e mostrando também que está disposto há um debate de idéias, mas que não seja agressivo. Assim se evolui mais e mais!
È só um pensamento e se você discorda então fale, vamos debater =)

Boa Noite

Victor Castanheira Antunes

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Um grito da alma voadora

Uma vontade de gritar
Uma vontade de voar
Não sei como entendê-las
Realmente não sei
Simplesmente deixo a caneta me guiar
Por entre as linhas
Por entre as palavras
Adormecidas...

Uma madrugada, uma ventania.
Varre meus pensamentos
Crise, guerra, imperialismo,
Ignorância e fanatismo

Me leva? Não né?!
Não vale a pena, né?!
Então eu grito... E nada sai
Arrancaram minhas cordas vocais
E a exibem em um laboratório agora

O que me resta é a caneta novamente
Ela e as palavras
Palavras...
As tão difíceis palavras
Que dormem no reino
Das poesias

Então grito pelo papel
Espero que você ouça
Você ouve? Não? Sim?
Fale comigo
Preciso saber seus pensamentos
Seus anseios, seus medos.
Não é possível? É?
Então grite para que eu possa ouvir
Grite com palavras
Rudes
Amáveis
Feias
Confortáveis

Vou mesmo é voar
Voar e talvez quem saiba
Eu até caia
De volta
Voando para sempre
Para o nada e tudo

Que venha deus ou Deus
Que venham todos
E que ouçam o meu
Grito
E o eco também, para ficar
Gravado!
Mesmo sem corda vocal
Eu continuo
E você?

Um grito da alma voadora
(Victor Castanheira Antunes)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Confortavelmente Entorpecido

Os dias andavam nublados, frios e chuvosos, sem nenhum tom de esperança por dias ensolarados tão comuns naquela época do ano. O bairro era pequeno com um núcleo comercial muito precário e o residencial não muito bom. As casas eram simples, mas muito bonitas, poucas eram mal conservadas, as fachadas eram bem cuidadas com jardins bonitos. Uma em questão chamou sua atenção, decidiu ver se havia habitantes naquele lugar com uma beleza exótica, diferente das outras casas...

-Olá tem alguém em casa?

Nenhuma resposta. Entrou e se deparou com uma casa bagunçada, jogada as traças, cupins e outros parasitas. A sala não era muito ampla, na parede em frente à porta havia uma estante com livros e uma TV pequena, alguns metros separado da estante um sofá velho já castigado pelo tempo e pelo uso constante. Na parede esquerda à porta havia uns quadros surrealistas, talvez fosse Dali, não conseguiu distinguir. Na parede direita havia uma porta para a cozinha e a continuação era um corredor que levava aos quartos e banheiro. Logo em frente à porta havia uma mesa com restos de comida e jornais espalhados sobre a mesma. E sobre o chão podia-se encontrar de tudo, de revistas sobre musica até cuecas sujas.

-Aloou!? Tem alguém ai dentro?

Mais uma vez em vão, nenhuma resposta. Decidiu entrar e procurar nos quartos. À medida que andava conseguia ouvir um chiado, como se fosse uma guitarra ligada e com problemas na parte elétrica. O zumbido vinha do quarto que ficava a esquerda no corredor. Era a ultima porta do corredor, estava entreaberta... Entrou e se encontrou como se estivesse em outro universo. Pelo chão papeis com letras, poemas, textos e sangue. Na cama uma bagunça imensurável, entre as cobertas havia um pó branco, provavelmente cocaína, camisinhas usadas e manchas por todo colchão. Num canto escuro do quarto estava um rapaz, uns trinta e sete anos. Sentado em cima de um amplificador com o olhar no horizonte distante como se observasse um navio cargueiro poluindo com sua fumaça estava ele, parecia esperar por seu visitante, parecia saber que ele viria. O visitante então perguntou...

-Tem alguém ai dentro? Apenas de um sinal...

E o rapaz balançou a cabeça positivamente e saiu do seu estado de transe. Fitava seu visitante com uma admiração sem igual. Venerava-o.

- Como você está? Ouvi dizer que anda deprimido, sem vontade de viver... O que houve?

Não obteve nenhuma resposta, ficaram se encarando por uns minutos até que o visitante voltou a falar.

- Pelo seu estado posso ver que não está bem, sinto que há uma enorme dor dentro de ti. Eu posso aliviá-la, fazer você sentir vontade de viver, vontade de ficar em pé novamente.

- E-e... e-eu q-quero!!

-Ótimo, então relaxe, vou precisar de algumas pequenas informações, nada demais apenas coisas básicas como nome, idade, sexo.

- Roz Floyd, vinte e nove, masculino... Pode me curar agora?

- Claro!- e esboçou uma sorriso malicioso – Será apenas uma picadinha de mosquito e não haverá mais tristeza.

Então Roz ficou meio tonto, enjoado. Seus olhos seguiam alguma coisa lentamente, como se voltasse a ver o navio poluindo no horizonte, distante... Distante.

- Fica de pé! Você consegue? ... Isso vamos, assim... Acho que está funcionando direitinho. Vamos indo que está na hora do seu show. Acho que será um belíssimo espetáculo...

E captava as mensagens passadas apenas por costume, pois os lábios do visitante mexiam, mas Roz não ouvia o que ele falava. Era apenas um bando de palavras faladas ao acaso, que não faziam sentido, não para ele. O navio desaparecia agora entre o crepúsculo vespertino e se lembrava de sua infância. Quando viajava com seus pais para o campo e lá encontrava uma paz que nunca mais tinha conseguido. Lembrou também de uma vez que fora acometido por uma altíssima febre, que o fez delirar, fez imaginar que suas mãos eram dois balões e com elas voava pelos ares. Essa sensação era novamente sentida, inexplicavelmente.

Quando era ainda uma criança sonhava alto, com muitas coisas, com a liberdade... Nunca havia conseguido explicar isso a ninguém, poucos entendiam. Interpretavam sempre muito mal sua imaginação, seus conceitos. Um refúgio era encontrado em sua mãe, um refúgio estranho, porém seguro. Uma segurança que acabava com sua liberdade e o levava ao aprisionamento dentro das paredes de seu subconsciente.

Após certo tempo se encontrou jogado no chão do banheiro com a junção do braço com o antebraço dolorida. Procurava por seu visitante tão esperado. Olhou de relance e achou ter visto alguém, quando foi conferir não havia mais ninguém apenas seu reflexo no espelho. Um rosto magro, com olheiras, velho e cansado. Não havia mais jeito, sentia-se solitário novamente, seu visitante fora embora. A criança havia crescido e seus sonhos altos haviam acabados. Sua liberdade era nula dentro das paredes. Ele estava confortavelmente entorpecido!

Confortavelmente Entorpecido
(Victor Castanheira Antunes)

OBS: Roz é Rosa em romeno

OBS2: Sugiro que assistam ao filme The Wall, um musical inspirado no album The Wall do Pink Floyd e que também ouçam a musica Comfortably Numb do Pink Floyd, o texto é baseado nesses dois últimos

OBS3: O texto não está finalizado, ainda pretendo fazer algumas mudanças

domingo, 7 de junho de 2009

Entre a mata e o feitiço

Entre a densa floresta,
As árvores e animais
Ela se esconde
Se esquiva

Por entre as raízes,
Pássaros e flores
Ela se faz presente
Sonoramente

Contra o rio e sua força
Ela surge majestosa
Depois de uma fina
Camada de úmida poeira

Um tímido arco íris
Brota entre os galhos
Borboletas e pedras
De sua caudalosa corredeira

Sem dar conta que tem vida
Derrama de melancolia
Lágrimas de grandes gotas

Com gotas rápidas e esbranquiçadas
É feito seu véu que cobre
Seu lindo pescoço de feiticeira

Entre a mata e o feitiço
(Victor Castanheira Antunes)

domingo, 10 de maio de 2009

Sorria é tempo de crise!

Feliz dias das compras das mães, que vocês gastem seus tão suados salários em presentes caros e outros consumismos em tempos de crise, desemprego e fome mundial!

Tenham um Bom Dia!

domingo, 29 de março de 2009

Desabafo

Tantas coisas ao mesmo tempo, tantas dores, confusões, alegrias e poucas confissões. O peito cheio, cheio de lágrimas e gritos, um vento gelado endurece minha alma. Uma raiva me sobe toda vez que saio às ruas e vejo essa juventude perdida, se vendendo, se prostituindo por luxo, popularidade e felicidade. Tudo inventivo, tudo morto e podre. Não da pra agüentar. Revolucionários preguiçosos, reacionários carnívoros vorazes, intelectuais arrogantes, ignorantes felizes e todos alienados. Todos alienados... Sinto falta de alguém pra desabafar e encontro na loucura uma amiga boa, um confessionário necessário.

Tantas palavras me acertam todos os dias, tantas mágoas me afundam e eu não sei como nadar. Alguma mão amiga pra ajudar? Provavelmente não, estão todas ocupadas se masturbando, ou contando dinheiro que ganharam na ultima transa. Eu me pergunto cadê os alquimistas, anarquistas, comunistas, sonhadores, poetas, boêmios, hippies, beatniks, as pedras rolantes, que falaram que seriam sempre jovens pra estimular os novos jovens e deixar o mundo mais amável, mais utópico. O dinheiro matou a maioria deles, destruíram suas dignidades por um punhado de papel “verde” pra enfim ter o carro do ano, a televisão high-tech e todas as outras parafernálias digitais.

Espero que os que tenham sobrado sejam fortes e perseverantes, mas não estou de todo convencido que sejam. Porque aqueles que se dizem alternativos e revolucionários estão nessa por ser a moda da hora. Mas ainda tenho esperança, não sei por que, mas tenho, mesmo com todas dores e com a alma endurecida... Ainda tenho....

“Não sou feliz, mas não sou mudo, hoje eu canto muito mais!” (Belchior)

Desabafo
(Victor Castanheira Antunes)


ps.: ouçam Arte Final - Belchior

quinta-feira, 26 de março de 2009

Às vezes com alguém

Pele, liso, verde, cabelo.
Costas, ombro, nuca, modelo.
Suave, macio,
Republik, arrepio.
Toque, beijo, nariz, boca.
Coxas, braços, abraços, rouca.
Lisos, castanhos,
Ondulados, banho.
Ver assim é interessante
É intrigante
Seu sorriso com improviso
Traz pra mim um alivio
De felicidade e lazer,
Satisfação e prazer

Às vezes com alguém
(Victor Castanheira Antunes)

Poesia - Cazuza

O amor é o ridículo da vida.
A gente procura nele uma pureza impossível,
Uma pureza que está sempre se pondo.
A vida veio e me levou com ela.
Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraiso que nos persegue,
Bonita e breve,como borboletas que só vivem 24 horas.
Morrer não doi.