sábado, 23 de novembro de 2013

O Vencedor

O tempo sempre vence
não há pra onde correr
tudo foi feito por ele
e inutilmente tentamos entender:
O negócio, a piada, o sexo,
o medo, a raiva, o banal
A viagem, o caso, a perda,
a vitória, o amor, afinal
por onde tentar prosseguir,
pra onde tentar fugir...
Encontrar.
O tempo sempre vence
não há pra onde correr
tudo preso a ele
porque tentar esconder?
A montanha lavada pelo mar.
A floresta seca de areia.
O forte castelo pra desabar.
A moça antes bonita, agora é feia!
Perdidos isso sim, sem rumo,
perdidos na fluidez do espaço
Perdidos por aí, eu assumo,
perdidos tentando achar o laço.
Toda liberdade é vã e falsa
sempre a procura de mais um motivo.
Toda liberdade é azul e livre,
tão livre... Com tanto tempo...
Tanto tempo...
Ele sempre vence.
Sempre!

O Vencedor
Victor Antunes

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Dedicatória à perfeição

Eu olho e tudo vejo,
Sinto-me acordado, atento, vivo.
Vivo como nunca antes pude pensar,
Vivo como nunca antes pude existir,
Vivo como nunca antes pude ter medo,
Medo da morte.

Os tons de cinza de uma fotografia antiga
Ganham cores agora.
Cores antes nunca imaginadas,
Cores que me preenchem,
Cores essas que me colorem.
Colorem-me de esperança, e fé.

A incerteza que me bamboleava
Agora dá lugar para a força.
Força de lutar, ganhar e vencer,
Força pra continuar a navegar,
Força que vai fazer tudo mudar.
Mudar de volta pro bom.

Juntos vamos ficar
Livres a rir de nós mesmos.
A manhã vem nos cumprimentar
Na sua esplêndida maneira de ser.
Euforia nos nossos melhores momentos
Temores nos nossos piores.
A ninguém explicaremos o que temos
Mortais e mundanos que são nunca entenderão.

E isso graças a você;
A você que é a minha vida completa e não precisa;
A você que é a minha cor berrante e cheia de vida;
A você que é a minha força de vontade e esperança;

A você dedico meu amor.
A você dedico a minha essência.
A você dedico o meu ser.

Dedicatória à perfeição

(Victor Castanheira Antunes)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ode ao caos!

Sempre imaginei como seria a morte
fria, escura, dolorosa...
Ou talvez rápida se tivermos sorte!?
O que acontece eu não sei
a vida é com certeza perigosa,
e o destino tem a ver com que se fez

Da pureza bebi da melhor fonte
é muito mais do que mereço
é com certeza a perfeição!
Você veio e me salvou de mim mesmo
o pior inimigo que posso ter.
A derrota seria a devastação.

Por vezes a visão falha,
escura fica e nem um palmo a frente
enxergo.
Raiva, consentimento, medo...
A fraqueza aparece.
E me apodrece...

Queria saber como é a morte,
indolor, quente, clara?
Tu só a recebes se tiveres sorte.
Porque é sempre assim
jamais soube e nem saberei.
Simplesmente, como dizem, é o fim.

Pra puta que pariu
todos vocês!
Principalmente aquele que causa dor!
Eu não gosto de você!
Eu te desprezo!
Te desprezo...

Pra onde correr? Deveríamos?
Não quero fugir,
só quero você comigo,

a sós.
Só nós dois.
Sem ninguém mais,
ninguém.

A incerteza é o que me arrasta.
Arrasta-me pra beira do precipício
da fraqueza...
Arrasta-me e me machuca.
A tristeza ajuda...

O sonho sempre acaba na melhor parte
e o pesadelo parece nunca acabar
Seria a morte um sonho?
Ou pesadelo?

O oceano nunca esteve mais agitado!
Tenho um bom barco dessa vez...
Seria eu capaz de me salvar
Ou conheceria a morte!?

Ode ao caos!
Victor Castanheira Antunes

domingo, 4 de dezembro de 2011

Bailarina

Levemente pelo vento você flutua
Entre passos e saltos e piruetas
Dançando no ar como borboletas
Deslizando pelo espaço até a lua

Na sutileza do seu toque no chão
A música que te acompanha
O mundo assiste suas façanhas
E percebo que nada foi em vão

A luz te segue, sempre iluminando
Seus delicados movimentos
Que não posso mais perder

E meus olhos seguem guiando
Todos os meus pensamentos
Que acabam sempre em você

Bailarina
(Victor Castanheira Antunes)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Rascunhos

No canto do caderno escrevo pequeno pra ninguém ver
No canto da sua boa busco um beijo pra te convencer
No pé da folha rasuro desenhos que faço pra você
No pé do seu ouvido conto como seria impossível viver
Entre o rascunho pinto um mar de palavras sem saber
Entro nos seus olhos e mergulho no mar de paixão entre mim e você

Rascunhos
Victor Castanheira Antunes

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Reticências

E o céu nunca pareceu tão perto
Nenhum vento pra me levar
Apenas um sol para me guiar
Por todos os caminhos, vi o incerto

Quando pulei para o meu mergulho
Nunca pensei na chance de cair
Via possibilidades de sorrir
E lentamente ia esmagando meu orgulho

O tempo escorria em direção ao futuro
Mal sabia o que estava à espera
Uma hora acabaria a quimera
Uma hora, eu sei, ficaria tudo escuro

E acabou
Sem avisos prévios
Simplesmente se foi com o vento
Aquele que não me levou...
Aquele...

Mas começou
Com avisos prévios
Completamente previsível e piegas
Como deve ser,
Como deve ser...

Reticências
Victor Castanheira Antunes

sábado, 13 de agosto de 2011

Entender

Louco por ser
Louco por semelhança
Apenas lúcido o suficiente
Para ter a loucura
Certa

Livre por ajuda
Livre por liberdade
Aprisionado pela liberdade
Destinado a sempre ser
Azul

Tudo tão entrelaçado
Pouco explicado
Fica assim...
Meio inacabado
Sutilmente levado pelo vento
Na brisa que sopra

Feliz por viver
Feliz por louco ser
Com a tristeza me entendo
E a felicidade
Volta

Louco por ser
Apenas por tentar entender
Louco...
Só por estar inacabado
Só por estar livre

Entender
Victor Castanheira Antunes

sábado, 6 de agosto de 2011

A derrota

Eu perdi
Perdi pra mim mesmo
Perdi pro meu jeito,
pros meus vícios.
Minhas virtudes não foram suficientes.

Eu perdi
Perdi aquilo que era bom
Aquilo que era ótimo.
Perdi sem sentir,
sentidos perdidos durante o tempo.

A lua se foi
Quebrou-se da minha órbita
E agora por ai vaga.
Foi-se sem previsão de volta
Sem previsão

Eu perdi
Simplesmente perdi
A pior derrota que poderia ocorrer
Eu contra mim...
E perdi mesmo assim!

A liberdade é azul de fato
Azul como a melancolia
Azul como a perda
Azul como a liberdade
Indesejada...

Perdi e não quero aceitar
Perdi e tenho que aceitar

Apenas perdi
Não está nada bem...
Nada bem...

A derrota
Victor Castanheira Antunes

domingo, 31 de julho de 2011

Do melhor jeito

Dos teus olhos descobri o infinito
Descobri o carinho
Provei o amor da fonte mais límpida
E consegui navegar pelo seu oceano
Com a minha jangada

Dos teus lábios descobri a paixão
Descobri o calor
Senti toda liberdade de nossas asas
E consegui voar pela sua vivacidade
Com o meu planador

De você descobri a vida
Descobri a felicidade
Provei dores e amores com prazer
E consegui ter a melhor
Simplesmente a melhor

Calmaria entre nossas tempestades
Milhões de estrelas no nosso céu
Lado a lado sempre ficamos
Muitos frutos colhemos juntos
Todos os dias rimos e choramos
O melhor tempo aproveitamos
Brilho nos nossos corações
Garantia de nossa ternura
Do melhor jeito dizemos: até logo!

Do melhor jeito
Victor Castanheira Antunes

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O Vento

Ela havia deixado a porta aberta. Foi embora depois de nossa última discussão e apenas deixou para trás um gélido sopro que dizia adeus... Os últimos olhares mais intensos que tornados e tormentas cortantes. Ela dizia, preciso voar, preciso de asas. Eu dizia, pegue o que quiser de mim, não me importa. Qualquer coisa... Ela apenas deslizou com suas asas pela vastidão turquesa.

Lembrava de tempos atrás, quando ficava triste e mais de mil sorrisos ela me dava de graça. Apenas para clarear nossas manhãs. Sem nenhum tipo de perda nem tristeza. Sempre uma inventiva alegria. Está tudo bem, sempre esteve. Porque iria querer mudar. Palavras jogadas no fluido espaço do ar. Envolviam-me em harmonia sem nunca quererem me deixar cair. Jamais. Cair nunca foi opção...

Asas tão pequenas, tão frágeis e delicadas. Ela dizia que já havia ido há muito tempo, já havia me deixado em tantos planos... Menos no físico... Fadas e borboletas, dizia ela, carregavam-na para longe. Tudo que ela pensava era em bater as asas, pelos algodões celestes, contra o vento. O vento que a beijava e dava-a a liberdade que nunca poderia dar, mas que sempre quis.

A porta continuava aberta soprando o gélido adeus... Pela janela alguns raios do sol matutino cortavam o denso ar da sala cor de vinho... Uma pena entrou junto com o vento... Peguei-a e nela estava escrito “Me perdoe...”

O Vento
(Victor Castanheira Antunes)

Novo Aeon - Raul Seixas

Sociedade alternativa
Sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu
Ou de ter fé
Ter prato entupido de comida
Que você mais gosta
É ser carregado, ou carregar
Gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar
Jesus sofrer...